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| Marcos de Paula/Estadão |
A reportagem da Folha de São Paulo chegou
quando o garoto, que usava bermuda e camiseta regata e aparentava ter entre 15
e 18 anos, estava encostado numa árvore, em frente ao prédio de número 81, onde
fica a sucursal carioca do Estado,
no momento em que ele apanhava dos transeuntes. Um homem o segurava e os demais
batiam nele com bastante força. Não havia guardas até então. Apenas uma pessoa
pedia calma; os demais gritavam: "Tem que meter a porrada mesmo!"
Quando o garoto começou a chorar, e o grupo começou a humilhá-lo. Foi então que
chegou a mulher e o reconheceu.
"Vai estudar,
vai para uma escola, desgraçado! Vai engraxar sapato, vai ser camelô!",
ela gritava. O garoto pedia: "Desculpa, tia, eu não te roubei, não".
E ela continuou: "Daqui você não sai. Não me chame de tia, eu não sou sua
tia. Na minha família não tem ladrão, são todos estudantes, todo mundo
trabalhou, todo mundo estudou em colégio do governo e todo mundo se formou, é
trabalhador. Isso é uma pouca vergonha!" A mulher disse que é dona de
casa, mora na França e está no Rio de férias. Ela o acusou de roubar um cordão
com uma pedra decorativa.
Em cinco minutos, quando as
agressões já haviam cessado, chegou um guarda municipal. O garoto então
levantou a camiseta, abriu a boca e mostrou que não havia escondido o cordão na
boca. Em seguida, chegou um carro da PM, com um outro garoto na traseira. A
mulher o reconheceu como cúmplice. Os dois e a mulher seguiram para uma
delegacia.

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